Alice Guy Blaché

Atualizado: Jan 19


Gostaria de começar o ano escrevendo sobre o documentário “Be Natural: A História não Contada da Primeira Cineasta do Mundo”, dirigido e produzido por Pamela B. Green[1], em cartaz no momento em São Paulo. Mas ainda não me sinto à vontade em permanecer por duas horas em uma sala fechada em plena pandemia. O filme é sobre a francesa Alice Guy Blaché (1873-1968), cineasta pioneira da virada do século XIX para o XX. Seu filme A fada do repolho (1896) é considerado o primeiro de estilo narrativo e roteirizado do mundo. Infelizmente, ela foi esquecida pela história.

Não há menção a ela em nenhum dos livros sobre a trajetória do cinema que tive contato para lecionar linguagem audiovisual. Nem no fantástico “O primeiro cinema: Espetáculo, narração e domesticação” de Flávia Cesarino. Eu também nunca tinha ouvido falar dela quando comecei a lecionar. Fiquei sabendo de sua existência por meio de outra professora.

Alice foi secretária de Léon Gaumont engenheiro industrial, fundador da companhia cinematográfica Gaumont, quando se encantou pelo cinema e decidiu se aventurar na arte. Dirigiu mais de mil produções e teve o seu próprio estúdio cinematográfico, a Solax Company.

Alguns de seus filmes estão disponíveis no Youtube, por exemplo, aqueles que eu assisti, “O cair das folhas” (1912), “A fada do repolho” (1896), “As consequências do feminismo” (1906), “A corrida de salsicha” (1907) e “A madame com desejos” (1907). O papel da mulher na sociedade e a maternidade são temas recorrentes, tratados de forma crítica e com humor pela cineasta.

“As consequências do feminismo” é particularmente engraçado ao mostrar uma inversão de papéis entre homem e mulher de acordo com os costumes da época, o que não deixa de ser atual. Já “O cair das folhas” me chamou a atenção pela delicadeza, ele trata da história de uma mulher doente, cujo médico dá como certa a morte assim que a última folha do outono cair. A irmãzinha da moça, que ouve essa triste sentença, tenta salvar a irmã evitando a queda da última folha da árvore em frente à casa da família.

Pretendo ver mais filmes de Alice Guy Blaché e os documentários sobre ela. Uma mulher fabulosa muito à frente do seu tempo, que foi injustamente apagada da história da sétima arte, mas que tem sido resgatada para (quem sabe?) ocupar o lugar de destaque que merece.

[1] Outro documentário sobre a cineasta foi lançado em 1995, “The lost Garden: the life and cinema of Alice Guy-Blaché”, da canadense Marquise Lepage.


FOTO: Alice Guy Blaché. Fonte: independent.co.uk

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