Margaret Mee e a flor da lua


Assisti ao documentário Margaret Mee e a flor da Lua, de Malu de Martino, lançado em 2013. Margaret (1909-1988) foi uma grande artista botânica inglesa, que viveu no Brasil por 36 anos e realizou quinze expedições à Amazônia brasileira para retratar suas plantas.


Um de seus desejos era pintar a rara flor da lua, também conhecida como cacto flor-do-luar. Endêmica no arquipélago das Anavilhanas, no estado do Amazonas, ela floresce somente por uma noite durante o ano. Apenas em sua última viagem a ilustradora conseguiu presenciar o desabrochar. Na canoa, com sua equipe, a artista permaneceu de vigília durante a noite para registrar o momento, até às oito da manhã quando a flor se fechou.


Os entrevistados descrevem Margaret como uma mulher determinada, destemida, ativista e defensora da Amazônia. Ela própria relata a ocasião em que, sozinha em sua cabana, enfrentou garimpeiros com um revólver. Ironicamente, depois de se aventurar tanto pela floresta ela morreu em um acidente de carro na Inglaterra, aos 79 anos. Suas cinzas foram jogadas nas águas do Rio Negro.


O documentário conta com Patrícia Pilar na narração de trechos do diário da artista, em primeira pessoa. Sua voz é melodiosa, combina com o ruído da mata ao fundo. A música composta por Artur Barreiros traz um tom mágico para a produção. Não é à toa que o filme ganhou melhor trilha sonora no Festival dos Sertões (2013) e também como melhor filme pelo júri popular no Festival de Cinema Brasileiro de Londres (2013).


A vontade que dá é de estar lá entre os igarapés e igapós, na canoa, vendo tudo o que Margaret viu e entrar em suas ilustrações, mais vivas que a própria realidade.


Imagem: galeria de fotos/DVD Margaret Mee e a flor da lua

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