Pachamama

Atualizado: Jan 20

1º de agosto é dia da Pachamama, a mãe terra andina. O ritual tradicional para celebrar a divindade consiste em enterrar alimentos em agradecimento à colheita do ano e pedir por novos bons cultivos.


Em 2014, em uma viagem ao Peru, ouvi muito falar de Pachamama, principalmente em Cusco, antiga capital do Império Inca. A escultura da foto foi comprada no Mercado Artesanal de Pisac, em um dia ensolarado no início de agosto. Pisac é parte do Vale Sagrado dos Incas, região de terras férteis, centro da produção agrícola na época da civilização inca.

O artesão local que me vendeu, um senhor de cabelos longos lisos e negros, jurou que era uma peça única. De fato, não vi outra igual. Verdade ou não, eu gosto dessa escultura, de observá-la, tocar sua superfície lisa e percorrer com os dedos as partes esculpidas. Às vezes, a roço com a lateral do rosto. Ela me lembra do dia mágico no Vale Sagrado Inca e do respeito que o povo andino tem pela terra. Em 2019, em Quito, Equador, também “me aproximei” de Pachamama e senti a mesma valorização pela terra e pela agricultura.


A escultura, feita em pedra sabão, mede 13,5 cm. e é mais pesada do que aparenta. O corpo feminino é redondo e baixo, seu rosto é severo; os seios, quadris, coxas e nádegas (a parte de trás também é entalhada) são fartos e indicam fertilidade. Os pés são grandes e bem fincados na base. Não há nada frágil. Ela segura os seios de forma resoluta e não sensual. A forma compacta e densa (não só da representação, mas do próprio material esculpido) relembra suas raízes fortes na terra, mas a lua crescente que ela carrega na cabeça remete à conexão com o cosmos, de maneira concreta, no que diz respeito às influências extraterrenas sobre o solo e a Terra.


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